
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) realizou, nesta quarta-feira (25), uma live especial em homenagem ao Dia Internacional da Mulher com o tema “Avanços e desafios na inclusão da mulher no setor da construção”. O encontro reuniu lideranças do setor para discutir a ampliação da participação feminina em um segmento historicamente masculino, além de destacar experiências e desafios enfrentados por mulheres na construção civil.
Participaram do debate o presidente da CBIC, Renato Correia; o vice-presidente financeiro, Eduardo Aroeira Almeida; a vice-presidente de Responsabilidade Social e presidente da Comissão de Responsabilidade Social da CBIC, Ana Cláudia Gomes; a vice-presidente da entidade, Maria Elizabeth Cacho do Nascimento; Além de Ana Rita Vieira, presidente do Sinduscon-Joinville; Maria Rita de Cássia Singulano, presidente da Aconvap; Elissandra Candido, presidente do Sinduscon-SF; e Maria Eugênia Fornea, presidente da Ademi-PR.
Participação feminina como estratégia para o setor
Na abertura, Correia destacou a importância da presença das mulheres para enfrentar os desafios estruturais da construção civil. “Certamente com mais mulheres nós vamos conseguir avançar nesse desafio. Nós precisamos da criatividade de vocês, da resiliência, da inteligência e da determinação para enfrentar esse momento tão importante para o nosso país”, afirmou.
O dirigente também reforçou a defesa da valorização institucional da pauta feminina. “Nós acreditamos muito nas mulheres e pleiteamos para que a gente tivesse um dia nacional da mulher na construção”, acrescentou.
A discussão ocorre em um momento em que o tema também avança no Congresso Nacional. A Câmara dos Deputados aprovou proposta que institui o Dia Nacional das Mulheres na Construção Civil, a ser celebrado em 25 de março de cada ano. De autoria da deputada Rogéria Santos (Republicanos-BA), o Projeto de Lei 4.638/2023 será enviado ao Senado Federal.
Ambiente de negócios e crescimento
Ao participar do debate, Aroeira destacou a importância da ampliação da participação feminina no setor. “Vocês abriram espaço, e isso é um exemplo para que outras cheguem aonde vocês chegaram. A CBIC tem sempre a intenção de apoiá-las, podem contar com a gente. A inclusão não tem volta e, mais que isso, a participação e liderança de vocês não têm volta”, afirmou.
Ele também contextualizou o momento da construção civil e ressaltou a necessidade de ampliar investimentos e melhorar o ambiente regulatório. “A gente precisa melhorar o ambiente de negócio para que as nossas empresas possam trabalhar com planejamento de longo prazo e investir com tranquilidade”, disse
Inclusão como pauta institucional
Para Ana Cláudia, a participação feminina deve ser tratada como estratégia para o crescimento do setor. “A pauta da mulher não é apenas uma pauta de inclusão, ela é uma pauta institucional. Não podemos desperdiçar talento diante dos desafios que a construção civil tem pela frente”, afirmou.
Segundo ela, ampliar a presença feminina contribui para a produtividade e inovação. “A gente precisa olhar para frente entendendo que precisamos aumentar a produtividade, e esse processo ajuda a trazer cada vez mais mulheres”, disse.
Trajetórias e experiências
Ao compartilhar sua experiência, Ana Rita destacou a importância de incentivar mulheres a assumirem posições de liderança. “Nós mulheres costumamos esperar estar muito preparadas para assumir qualquer cargo, mas a gente já tem competência. Não precisamos esperar”, afirmou.
Maria Elizabeth ressaltou a importância da determinação e da escuta. “Eu acho que mulher, o espaço é onde ela quer. Mostrando competência e seriedade, a gente conquista esse espaço”, declarou.
Elissandra destacou a necessidade de ampliar a participação feminina nas discussões estratégicas do setor. “As mulheres precisam ter esse espaço de fala e conhecer o ambiente de negócios. A gente precisa abrir esse ambiente para mais mulheres”, disse.
Maria Eugenia enfatizou o papel da atuação institucional. “É muito importante participar desses espaços de discussão para ajudar a criar políticas públicas que o mercado consiga usar e gerar desenvolvimento”, afirmou.
Maria Rita ressaltou o valor do trabalho coletivo. “Sempre achei que ninguém resolve nada sozinho. A gente precisa trabalhar para que as mulheres tenham mais espaço nessa área que ainda é tão difícil”, declarou.
Desafios e caminhos
As participantes apontaram desafios como a necessidade de quebrar paradigmas, ampliar a presença feminina em cargos de liderança e incentivar a participação em canteiros de obras.
Ana Rita destacou a importância de ajustes práticos. “A gente precisa ouvir mais as mulheres e pensar em formatos que facilitem a participação, desde reuniões até ações no canteiro de obras”, disse.
Elissandra também ressaltou a necessidade de mudanças culturais. “Muitas vezes a mulher ainda precisa provar sua competência. A gente precisa evoluir na cultura da inclusão”, afirmou.
Fonte: Agência CBIC