Agosto Lilás: campanha do Seconci-DF levará ações de prevenção à violência doméstica a 31 canteiros de obras

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| 28/07/2026

Objetivo é conscientizar os trabalhadores sobre o papel de cada um para enfrentamento ao problema e como agir em casos próximos

Mais de 3 mil trabalhadores da construção civil devem ser alcançados pela campanha Agosto Lilás – Mês de Prevenção à Violência Doméstica e Familiar, promovida pelo Serviço Social da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (Seconci-DF). Ao longo do próximo mês, a iniciativa percorrerá 31 canteiros de obras de empresas parceiras em diferentes regiões do Distrito Federal com ações de conscientização, orientação e prevenção à violência contra a mulher.

A campanha integra um trabalho permanente desenvolvido pelo serviço psicossocial do Seconci-DF que, durante todo o ano, realiza palestras educativas, atendimentos individuais a trabalhadores, trabalhadoras e seus familiares, além de encaminhamentos à rede de proteção sempre que necessário como forma de proteger e evitar casos de violência dentro do setor da construção ou com pessoas ligadas aos trabalhadores que atuam no setor.

Para a assistente social do Seconci-DF, Roseane dos Santos, iniciativas como o Agosto Lilás são fundamentais para ampliar o debate sobre o tema e transformar os trabalhadores em aliados no enfrentamento à violência contra a mulher. “Nós temos a campanha ‘Eu Protejo as Mulheres, que já percorreu canteiros de obras em praticamente todas as regiões do Distrito Federal, abordando o tema com os trabalhadores e quebrando preconceitos. Também utilizamos casos reais para mostrar que o combate à violência é responsabilidade de toda a sociedade e, no nosso caso, também dos trabalhadores que são nosso público”, explica.

Segundo Roseane, além de conscientizar, o trabalho busca orientar mulheres que vivenciam situações de violência e mostrar que existem caminhos para romper esse ciclo. “A violência pode acontecer dentro da nossa casa, entre familiares e pessoas próximas e, muitas vezes, as vítimas não sabem como agir nem onde procurar ajuda. O papel do Seconci é despertar a consciência de que elas não estão sozinhas, fazer o acolhimento, orientar, realizar os encaminhamentos necessários e apresentar os canais disponíveis para acolher e proteger quem enfrenta essa realidade”, afirma.

O atendimento psicossocial oferecido pelo Seconci-DF já ajudou diversas trabalhadoras a romper o ciclo da violência. Uma delas é Antônia Pâmela Soares, que procurou apoio após sofrer ameaças do então companheiro. “Naquele dia, quando fui ameaçada com uma faca, percebi que não podia mais continuar vivendo daquela forma. Foi o meu basta. Com a orientação do técnico de segurança Solano Ferreira, procurei o atendimento psicossocial do Seconci-DF e encontrei o apoio de que precisava”, relata.

Após o acolhimento, Antônia recebeu orientação especializada e foi encaminhada aos órgãos responsáveis pela proteção das mulheres. “A Roseane me acolheu, fez os encaminhamentos para o Comitê de Proteção à Mulher (SecMulher) e para a Polícia Militar, e tudo aconteceu muito rápido. Mesmo depois da medida protetiva, ainda sofri outra ameaça, mas meu ex-companheiro foi preso”, conta.

Mulheres em situação de violência doméstica podem procurar diretamente o Seconci-DF para solicitar atendimento. Durante a campanha, representantes de instituições parceiras também participarão das ações nos canteiros de obras, reforçando a rede de orientação e acolhimento às vítimas. Estarão presentes a Secretaria de Estado da Mulher e da Justica do DF, representantes da Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM/PCDF), além do apoio institucional do Sindicato da Indústria da Construção (Sinduscon-DF) e do Sindicato dos Trabalhadores da Construção (Sticombe).

Projeto mobiliza trabalhadores pela proteção das mulheres

O projeto “EU PROTEJO AS MULHERES” é uma iniciativa do Seconci-DF, desenvolvida em parceria com o Sinduscon-DF, o Sticombe, a Secretaria de Estado da Mulher, a Secretaria de Estado de Justiça e Cidadania e a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM). A proposta é conscientizar, prevenir e combater a violência contra a mulher no setor da construção civil, promovendo uma cultura de respeito, responsabilidade e proteção dentro e fora dos ambientes de trabalho.

As ações incluem palestras educativas nos canteiros de obras, distribuição do selo “EU PROTEJO AS MULHERES”, incentivo ao envolvimento das famílias e atendimento psicossocial especializado para vítimas, familiares e possíveis agressores, com encaminhamento à rede de proteção quando necessário. O projeto busca transformar cada trabalhador em um agente de proteção, reforçando que o enfrentamento à violência contra a mulher é um compromisso coletivo e uma responsabilidade de toda a sociedade.

Conheça os 6 tipos de violência doméstica e familiar

Clique em cada tipo para entender o significado e conhecer exemplos.

O que é?

Qualquer ação que cause dano ao corpo ou à saúde da mulher.

Exemplos
  • Empurrões
  • Tapas, socos e chutes
  • Estrangulamento
  • Queimaduras
  • Lesões com objetos ou armas
O que é?

Condutas que causem sofrimento emocional, diminuam a autoestima ou controlem as decisões e a liberdade da mulher.

Exemplos
  • Ameaças
  • Humilhações constantes
  • Chantagem emocional
  • Controle do celular e redes sociais
  • Isolamento da família e amigos
  • Perseguição (stalking)
O que é?

Obrigar ou constranger a mulher a participar de qualquer ato sexual contra sua vontade.

Exemplos
  • Estupro marital
  • Obrigar relações sexuais
  • Impedir uso de contraceptivos
  • Forçar gravidez ou aborto
  • Exploração sexual
O que é?

Controlar, destruir, reter ou subtrair bens, documentos, dinheiro ou recursos da mulher.

Exemplos
  • Tomar salário
  • Reter documentos
  • Destruir objetos pessoais
  • Impedir a mulher de trabalhar
  • Danificar bens
O que é?

Qualquer conduta que atinja a honra, dignidade ou reputação da mulher.

Exemplos
  • Calúnia
  • Difamação
  • Injúria
  • Acusações falsas
  • Xingamentos e ofensas públicas
NOVA FORMA PREVISTA EM LEI

Violência praticada contra filhos, familiares, pessoas próximas ou animais de estimação com o objetivo de causar sofrimento, controlar ou atingir psicologicamente a mulher.

Exemplos
  • Ameaçar os filhos
  • Agredir crianças para atingir a mãe
  • Impedir o convívio com os filhos
  • Ferir ou matar animal de estimação
  • Agredir familiares para causar sofrimento
Importante

Uma mulher pode sofrer mais de um tipo de violência ao mesmo tempo. Se você ou alguém que conhece precisa de ajuda, denuncie. Ligue 180 ou procure a rede de proteção da sua cidade.