Agosto é um mês que nos convida a falar sobre educação. O Dia do Estudante, celebrado no dia 11, nos lembra da importância de aprender, mas, para quem acompanha de perto trabalhadores que tiveram que abandonar o ensino no tempo regular e retomaram os estudos na vida adulta, essa reflexão vai muito além de uma data no calendário.
No Programa de Alfabetização do Seconci-DF, tenho a oportunidade de acompanhar histórias que mostram, diariamente, como a educação pode transformar vidas.
Desde o início dos anos 1990, o programa oferece aos trabalhadores da construção civil a oportunidade de aprender, retomar os estudos e conquistar mais autonomia. Ao longo dessa trajetória, já foram realizados mais de 13,5 mil atendimentos.
Esse número representa muito mais do que uma estatística. Representa pessoas.
São trabalhadores que, por diferentes circunstâncias da vida, não tiveram a oportunidade de estudar ou precisaram interromper sua formação. Para muitos deles, voltar à sala de aula significa enfrentar desafios, mas também significa recuperar algo que parecia distante: a possibilidade de aprender.
E é justamente aí que percebemos que alfabetizar vai muito além de ensinar a ler e escrever.
É poder ler uma mensagem no celular, compreender um documento, escrever o próprio nome, acompanhar a vida escolar dos filhos ou simplesmente ganhar mais segurança para enfrentar situações do cotidiano.
São pequenas conquistas que, para quem vive esse processo, têm um enorme significado.
Também vejo nessa experiência uma importante dimensão de responsabilidade social. Cuidar de quem constrói não significa apenas cuidar da saúde e da segurança. Significa olhar para o trabalhador de forma integral e contribuir para que ele tenha oportunidades de desenvolvimento e de transformação da própria vida.
Quando um trabalhador volta a estudar, essa mudança muitas vezes chega também à sua família. Filhos e netos passam a enxergar naquele estudante um exemplo de que nunca é tarde para aprender.
É isso que o mês de agosto me faz lembrar: educação não tem idade, e oportunidade de aprender não deveria ter prazo de validade.
Como coordenador pedagógico, sinto orgulho de fazer parte de um programa que há mais de três décadas ajuda a construir novas possibilidades para trabalhadores da construção civil.
E, no Seconci-DF, temos a convicção de que cuidar de quem constrói também é ajudar cada trabalhador a construir novos capítulos da sua própria história.
Artigo escrito por Geraldo Henrique Gomes, coordenador pedagógico do Seconci-DF