Dia Mundial da Alfabetização destaca desafio de levar educação a trabalhadores da construção

Seconci-DF mantém programa que oferece aulas dentro dos canteiros e aproxima o ensino da realidade dos profissionais. Para quem passa o dia no canteiro de obras, voltar à sala de aula pode parecer um desafio distante. Entre o trabalho, o deslocamento e as responsabilidades familiares, retomar os estudos nem sempre encontra espaço na rotina. É justamente para aproximar a educação dessa realidade que o Serviço Social da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (Seconci-DF) mantém um projeto de alfabetização e ensino fundamental voltado aos trabalhadores da construção civil. A iniciativa ganha destaque neste 8 de setembro, Dia Mundial da Alfabetização. As aulas são realizadas nos próprios canteiros, uma estratégia que facilita a participação e permite que o processo de aprendizagem esteja conectado ao cotidiano dos alunos. Desde o início da década de 1990, mais de 13,5 mil trabalhadores de empresas parceiras da entidade já passaram pelas classes de alfabetização e pelos segmentos do ensino fundamental. Entre os participantes do projeto está o operador de betoneira Francisco Gilmar Eugênio, que encontrou nas aulas a oportunidade de avançar na escrita e, com isso, retomar um antigo projeto pessoal: obter a carteira de motorista. Antes de participar da iniciativa, ele conta que tinha dificuldade até para escrever o próprio nome. “Eu praticamente não sabia escrever nem o meu próprio nome direito. Depois das aulas, consegui tirar meus documentos e assiná-los. Agora quero continuar estudando para realizar o sonho de conseguir minha CNH”, relata Francisco. Para o coordenador pedagógico do Seconci-DF, Geraldo Henrique Gomes, criar condições para que o trabalhador volte a estudar também significa abrir novas possibilidades para sua trajetória. “Quando a educação chega ao local onde o trabalhador está, uma das principais barreiras para o retorno aos estudos deixa de existir. Nosso objetivo é oferecer uma oportunidade real para que esses profissionais avancem na escolaridade, conquistem mais autonomia e percebam que sempre é tempo de aprender”, afirma. A continuidade do projeto depende também da participação das construtoras, que disponibilizam espaço e apoiam a presença dos colaboradores nas aulas. Dessa forma, o canteiro passa a incorporar uma nova dimensão: além de espaço de trabalho, torna-se também ambiente de formação e desenvolvimento. Uma das empresas que apoiam a iniciativa do Seconci-DF em levar educação para os trabalhadores é a CONBRAL que, desde o início do projeto, manteve a sala de aula em suas obras. Ao longo dos anos, mais de 500 trabalhadores da empresa tiveram acesso à educação nas classes de alfabetização e ensino fundamental dentro do ambiente de trabalho. De acordo com o diretor da empresa, Paulo Muniz, a iniciativa traz benefícios concretos para trabalhadores e empresas. “O programa apresenta alto índice de satisfação entre os colaboradores e contribui para o aumento da produtividade e da permanência na empresa”, comemora. Levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) aponta que, em 2024, 34% dos trabalhadores entrevistados possuíam o ensino fundamental incompleto e 2% eram analfabetos. Mais do que aprender a ler e escrever, a retomada dos estudos pode ampliar a autonomia em situações corriqueiras, como compreender documentos, preencher informações e lidar com diferentes demandas do dia a dia. Texto: Fernanda Nalon | Profissionais do Texto

Operários da construção civil concluem ciclo de alfabetização e ensino fundamental dentro de canteiro de obras

Formatura de 14 trabalhadores da CONBRAL aconteceu no mês em que é celebrado o Dia do Estudante Agosto, mês em que é celebrado o Dia do Estudante (11/8), ficará marcado na vida de 14 trabalhadores da construção civil. Nesta sexta-feira (21/8), eles participaram da cerimônia de formatura do Programa de Alfabetização do Serviço Social da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (Seconci-DF), realizada no canteiro de obras da CONBRAL, no Guará II. A solenidade marcou a conclusão de mais uma etapa de aprendizagem conciliada à rotina profissional. A iniciativa integra o trabalho desenvolvido pelo Seconci-DF para ampliar o acesso à educação entre os profissionais da construção civil. As aulas acontecem dentro dos próprios canteiros, facilitando a participação dos trabalhadores e aproximando o processo de aprendizagem da realidade de quem passa boa parte do dia no ambiente de obras. A escolha de agosto para celebrar a conclusão desse ciclo ganha um significado especial justamente por coincidir com o mês dedicado aos estudantes. Para os trabalhadores da CONBRAL, a data representa a oportunidade de reconhecer o esforço de quem divide o tempo entre as atividades profissionais e a sala de aula e decidiu investir na própria formação. “Concluir os estudos enquanto se concilia uma rotina de trabalho é uma demonstração de determinação e de que nunca é tarde para buscar novos conhecimentos. Só a educação pode transformar o país, pode transformar a alma de cada um. É indiscutível uma análise que é a educação o grande início de qualquer transformação no ser humano. Qualquer tipo de superação passa por um processo educativo”, diz Geórgia Grace, Gerente Geral do SECONCI-DF. Para a CONBRAL, oferecer condições para que os trabalhadores possam estudar durante a jornada de trabalho também faz parte de uma visão de valorização das pessoas que constroem os empreendimentos. “Acreditamos que investir nos nossos colaboradores é tão importante quanto investir na própria obra. Criar condições para que possam estudar, adquirir novos conhecimentos e avançar em sua formação é uma forma de reconhecer o valor de cada profissional.”, afirma Paulo Muniz, diretor da CONBRAL. “Essa formatura representa uma conquista para eles e para toda a nossa empresa. Só a educação pode mudar o país. Que esta conquista para os nossos operários sirva de exemplo para muitos outros colaboradores”, finaliza. Educação que transforma O pedreiro Erasmo Carlos Souza Coelho, de 57 anos, foi um dos trabalhadores que concluiu mais uma etapa dos estudos dentro do canteiro de obras. Ele conta que, no início, teve muita dificuldade, mas que a experiência foi transformadora. “Quando surgiu essa oportunidade de estudar, eu soube aproveitar. Espero continuar com os meus estudos daqui para frente”, conta. Outro trabalhador que também concluiu os estudos foi Pedro Antônio Oliveira Filho, de 51 anos, que trabalha na área da limpeza. Quando iniciou na escola, sua principal dificuldade era com a escrita, mas, com a ajuda das aulas, já conseguiu aperfeiçoar a habilidade. “É muito bom você trabalhar em um lugar que oferece esse tipo de oportunidade. A professora tem muita paciência com a gente e, graças a ela, estou conseguindo superar as dificuldades que eu tinha, que eram principalmente de trocar uma letra por outra”. A professora Vera Lúcia da Silva acompanhou de perto cada etapa do processo de aprendizagem dos trabalhadores e celebrou com eles a conquista. Para ela, o momento da formatura também representa o resultado da dedicação dos alunos, que conciliam as aulas com a rotina de trabalho pesado no canteiro de obras. “Eu estou muito realizada e fico muito feliz por eles, pela vontade que eles têm de aprender, porque não é fácil, principalmente para eles que trabalham pesado. Mesmo com os problemas do dia a dia, eles esquecem de tudo dentro da sala de aula. A gente brinca, a gente se diverte e aprende também”, afirma. Ao longo das aulas, a professora viu de perto a evolução dos alunos, especialmente no aprendizado da leitura e da escrita. Segundo ela, alguns chegaram à escola conhecendo as letras, mas ainda sem conseguir ler, e foram avançando aos poucos, com exercícios e incentivo. “Eles aprenderam muito. Eu percebo que na parte de matemática eles entendem mais rápido, acredito que pelo o dia a dia, de precisar pagar uma conta ou resolver outras coisas”, conta. “O português é um pouco mais devagar, mas muitos deles já melhoraram bastante a leitura e a escrita. É um trabalho diário em que eles vão se superando a cada dia”. Educação nos canteiros de obras De acordo com levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), 34% dos trabalhadores entrevistados no estudo sobre o perfil da mão de obra da construção civil possuem o Ensino Fundamental incompleto, enquanto 2% são analfabetos. Nesse cenário, levar a educação para dentro do canteiro representa uma alternativa concreta para ampliar a escolaridade e criar novas oportunidades para os profissionais. Desde o início da década de 1990, mais de 13,5 mil trabalhadores de empresas parceiras do Seconci-DF já tiveram acesso às classes de alfabetização e aos segmentos do Ensino Fundamental oferecidos pela entidade. A parceria com as empresas é fundamental para a continuidade do projeto. Ao disponibilizar espaço e incentivar a participação dos colaboradores, as construtoras contribuem para transformar o canteiro em um ambiente que, além de gerar emprego, também estimula desenvolvimento, qualificação e novas perspectivas para os trabalhadores. Texto: Fernanda Nalon/Profissionais do Texto

Seconci-DF inaugura nova sala de alfabetização

Iniciativa leva educação para dentro dos canteiros de obras e reforça a cidadania e a autonomia dos trabalhadores da construção civil Comunicação Seconci-DF O Serviço Social da Indústria da Construção do Distrito Federal (Seconci-DF) inaugurou uma nova turma do projeto de alfabetização voltado aos trabalhadores da construção civil. Desenvolvida em parceria com empresas do setor, a iniciativa leva salas de aula para dentro dos canteiros de obras e amplia o acesso à educação para profissionais que não tiveram a oportunidade de estudar na infância. Durante a abertura das atividades em um dos canteiros parceiros, a importância do projeto foi destacada como uma ação que vai além da formação profissional. “Este projeto foi desenhado para que cada um tenha a chance de redescobrir o mundo por meio das letras e dos números. A educação é a única ferramenta que ninguém pode tirar de vocês”, destacou Elisane Sena, gestora de RH da empresa parceira, construtora Faenge. Atualmente, o Seconci-DF conta com duas turmas ativas e se prepara para ampliar o número de salas ao longo do ano. De acordo com o coordenador pedagógico responsável pelo projeto, Geraldo Henrique Gomes, a alfabetização tem como objetivo resgatar a dignidade e a cidadania aos participantes. “Nosso objetivo é que mais empresas conheçam e participem dessa ação para que mais trabalhadores que precisam de educação possam ter a oportunidade de voltar a estudar e enxergar o mundo com olhos de sabedoria”, explicou. Educação que transforma dentro da obra O projeto de alfabetização do Seconci-DF é desenvolvido dentro dos próprios canteiros, com aulas adaptadas à rotina dos trabalhadores. A metodologia segue o modelo da Educação de Jovens e Adultos (EJA), permitindo que os participantes conciliem trabalho e estudo sem comprometer a jornada profissional. Mais do que ensinar a ler e escrever, a iniciativa promove autonomia no dia a dia dos trabalhadores um impacto percebido diretamente por quem participa das aulas. “Hoje eu já sei um pouco. Já não me perco mais em Brasília, porque agora consigo ler o nome dos lugares”, relata o servente Francisco Neto, atendido pelo projeto. A trajetória dos participantes evidencia a importância da iniciativa. O pedreiro Paulo Ferreira da Silva, por exemplo, encontrou no projeto a oportunidade de retomar os estudos após anos dedicados exclusivamente ao trabalho. “Eu parei os estudos para ajudar minha mãe quando meu pai nos deixou. Era uma vida muito sofrida ea gente precisava sofrer. Foi uma oportunidade porque e muito ruim não saber nem pegar um ônibus. A pessoa que não sabe nem escrever o nome é cego”, disse Paulo. “A pessoa que não sabe nem escrever o nome é cego” pedreiro Paulo Ferreira da Silva. A volta à sala de aula tem proporcionado mais autonomia no cotidiano e novas perspectivas de futuro. Além disso, o aprendizado também fortalece vínculos familiares e amplia o interesse pelo conhecimento dentro de casa. “É gratificante ver cada aluno aprendendo e evoluindo. Muitos levam esse aprendizado para dentro de casa e compartilham com a família”, destaca a professora do Seconci-DF Tayanne Abreu. Saiba mais sobre a alfabetização do Seconci-DF. Ligue (61) 3399-1888 ramal 241 ou acesse www.seconci-df.org.br Texto: José Albuquerque/Comunicação Seconci-DF

Alfabetização: iniciativa do Seconci-DF leva cidadania e dignidade aos trabalhadores

Projeto existe desde o início da década de 1990 e já atendeu mais de 13,5 mil trabalhadores da construção Comunicação Seconci-DF As turmas de alfabetização do Seconci-DF são uma oportunidade para que as empresas do setor promovam a alfabetização dentro dos ambientes de obra. Nesse sentido, turmas do primeiro segmento de alfabetização, que corresponde ao ensino fundamental, são montadas de acordo com a necessidade de cada obra. Em mais de 30 anos de projeto, a recompensa é vista na transformação de vida e no ganho que todos que passaram ou estão nas salas sentem no dia a dia. Atualmente, a instituição conta com duas turmas ativas e se prepara para inaugurar mais uma sala. De acordo com o coordenador pedagógico do Seconci-DF, Geraldo Henrique Gomes, a alfabetização tem como objetivo devolver a dignidade e a cidadania aos participantes. “O Seconci começou seu projeto de alfabetização na década de 1990. Desde então, já atendemos mais de 13 mil alunos. Ele é realizado dentro do canteiro de obras, aproveitando a estrutura física da empresa, que pode ser o próprio refeitório, e visa resgatar a cidadania do operário da construção”, explicou Geraldo. As empresas que apoiam a alfabetização reconhecem como os trabalhadores que participam têm suas vidas transformadas. A técnica de segurança do trabalho Ana Carolina Batista, da empresa parceira FAENGE, reforça como a mudança é visível para os alunos da escola de alfabetização. “O que eu percebo é que os funcionários que frequentam a sala de aula desenvolveram muito na leitura, na escrita, no modo de falar. Eles já conseguem ler e formar pequenas palavras, além de se expressarem melhor”, contou Ana Carolina. Os trabalhadores que estão nas turmas de alfabetização falam da importância de poderem estudar e das descobertas que o ensino proporciona. Para o ajudante Jorge Galvão, é importante ter a sala de aula, e ele segue aprendendo dia após dia. “Eu lia pouco, agora estou lendo mais ou menos e sigo desenvolvendo mais. A professora é muito educada e muito paciente com a gente”, disse Jorge. Da mesma forma, o meio oficial Adão Domingos conta que não sabia ler nem escrever e, graças à turma de alfabetização na empresa onde trabalha, ele consegue realizar atividades simples do dia a dia. “Eu não sabia nada. Não lia, não escrevia, e hoje, com apoio da empresa e do Seconci, consigo pegar um ônibus”, contou Adão. Para formar uma turma de alfabetização para seus trabalhadores, as empresas do setor da construção podem entrar em contato com o Seconci-DF pelo telefone (61) 3399-1888, ramal 241, ou pelo e-mail coordenacao.apoio@seconci-df.org.br para mais informações.